“Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações, o meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões. Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa política e televisão. Vamos celebrar nosso governo e nosso estado que não é nação. Celebrar a juventude sem escolas, as crianças mortas, celebrar nossa desunião. Vamos celebrar Eros e Thanatos, Persephone e Hades. Vamos celebrar nossa tristeza, vamos celebrar nossa vaidade. Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado, todos os mortos nas estradas, os mortos por falta de hospitais. Vamos celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação. Vamos celebrar os preconceitos, o voto dos analfabetos, comemorar a água podre e todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros. Nosso castelo de cartas marcadas, o trabalho escravo, nosso pequeno universo. Toda hipocrisia e toda afetação, todo roubo e toda indiferença. Vamos celebrar epidemias, é a festa da torcida campeã. Vamos celebrar a fome, não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar. Vamos alimentar o que é maldade, vamos alimentar o que é maldade, vamos machucar o coração. Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos, tudo que é gratuito e feio, tudo que é normal. Vamos cantar juntos o hino nacional, a lágrima é verdadeira. Vamos celebrar nossa saudade, comemorar a nossa solidão. Vamos festejar a inveja, a intolerância, a incompreensão. Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente que trabalhou honestamente a vida inteira, e agora não tem mais direito a nada. Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso, nosso descaso por educação. Vamos celebrar o horror de tudo isto com festa, velório e caixão […]”
“Quando a gente é jovem tudo parece o fim do mundo. Mas, não é. É só o começo.”